domingo, 20 de março de 2016

Desamparada

Desamparada

     Não sei como começar. Na verdade, ao começar a digitar as primeiras palavras a vontade passa. Esse sentimento não é exclusivo do blog, também fico dessa forma ao tentar fazer outras coisas que me agradam. É como se eu estivesse me sabotando, como se não fazer uma atividade que me dá prazer iria deixar mais suportável o sentimento de frustração e tristeza quando não pudesse realizá-la. É, talvez seja isso. Eu já percebi esse comportamento quando fui obrigada a cursar algo que eu detesto e para não sofrer muito eu me afastei de quase tudo referente à História. Que idiotice. É só o pensamento começar a surgir, ou pegar até mesmo o finalzinho de um documentário que a paixão se faz sentir mais forte. É Flávia, não adianta tentar se enganar até porque não adiantou nada, não foi? Mas agora como faço pra parar esse auto-bloqueio?
     Tenho caído numa armadilha muito perigosa: meus dias da semana tem sido de muito trabalho e quando chego em casa, a única coisa que faço é dormir. É um ciclo vicioso, improdutivo e infeliz. Para piorar as coisas ainda mais, descobri que no meu trabalho existe aquela 'clássica' diferença salarial entre homens e mulheres. Que o meu chefe tem uma preferência escancarada pelos meninos isso nós sabemos, como ele também não faz nenhuma questão de esconder. Entretanto, senti-me apunhalada. Eu pensava que esse tipo de situação quase não existisse mais e quem alguns babacas ainda tentavam mantê-las, mas que seria apenas uma questão de tempo até eles perceberem que teriam que ceder. Não sei nem como descrever como sinto quanto a isso, não tenho vontade de levantar da cama para trabalhar, fiquei explosiva e meu rendimento caiu muito. Porra! Somos todos registrados no mesmo cargo/nível e por que ganho menos? Aliás, vale comentar aqui que eu faço muitas outras coisas que não são de competência dos meninos - meninos, porque parece que não cresceram ainda e tenho que agir como a mãe chata- como entrevistar candidatos, fazer compras, tomar conta da 'turma do barulho' e, claro, fazer o que fui contratada para fazer: programar. Eu não quero ganhar mais, eu quero igualdade de salários. Com o país em crise e o número de desempregados só aumentando, eu não posso arriscar perder esse emprego e também não está nada fácil arranjar outro emprego - atenção: essa estória de vaga de 50mil é com 'e' mesmo. O que mais doeu é que eu confiava no meu chefe e sou muito agradecida pela oportunidade que ele me deu (fui escolhida para estagiar mesmo sem saber absolutamente nada e tendo candidatos com conhecimentos avançados concorrendo a vaga. Após 2 anos, fui efetivada ano passado). Eu não consigo descrever o quão decepcionada eu estou.
     No entanto, essas coisas ainda não me impediram de viver. Estou ensaiando muito para o meu primeiro solo, em maio. Que vergonha! Morro só de pensar em todo mundo me olhando. Porém, sei que tenho que enfrentar esse medo já que eu quero me apresentar mais vezes (louca, não?). Enfrentei uma pequena saga para conseguir mandar fazer a roupa que desenhei. Preciso fazer um curso de corte e costura, depender dos outros é um saco.
     E falando de coisa boa, voltei a desenhar. Tinha até esquecido como era bom. Estou desenhando uma elfa trovadora (Bardo). Estou curtindo muito desenhá-la e estou medo de estragar tudo ao colorir, mas precisa ser já que esse bardo é muito colorido. Aliás, é inspirado no bardo do universo de Forsaken.
     Me sinto mais leve após esse post, talvez eu estivesse precisando extravasar um pouco... Espero retornar em breve e, quem sabe, finalmente colocar alguns projetos pro blog em prática. Ah! Tentarei arranjar tempo para começar o novo layout, que um amigo ficou de fazer para mim mas agora ele está sem tempo.

Feliz Mabon!